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«Há alterações genéticas que são particularmente frequentes na população portuguesa, nomeadamente a Park 8, que é uma mutação associada a esta doença e que é particularmente prevalente nos países do Sul da Europa, principalmente em Portugal e Espanha», disse à Lusa Joaquim Ferreira, neurologista do Hospital Santa Maria.
Joaquim Ferreira, que falava a propósito do Dia Mundial da Doença de Parkinson, que se assinala este sábado, adiantou que actualmente «não há nenhuma forma de prevenir a doença de Parkinson», que, segundo estimativas, afecta cerca de 20 mil portugueses.
Mas, segundo o neurologista, este estudo sobre as alterações genéticas ligadas à doença de Parkinson pode permitir que pessoas em risco de vir a ter a doença nunca a cheguem a desenvolver.
«Se nós conseguirmos saber mais sobre essas alterações genéticas podemos eventualmente vir a identificar pessoas em risco de terem a doença mesmo antes dos sinais aparecerem e estudar medicamentos que possam ser testados nessas pessoas», explicou o médico da Sociedade Portuguesa de Neurologia.
O neurologista adiantou que os investigadores estão a trabalhar para que «daqui a 10 ou 20 anos possa haver armas que permitam que pessoas em risco de vir a ter a doença nunca cheguem a desenvolver os sinais».
«É uma área de investigação importante, com a relevância de que Portugal provavelmente é uma área de risco adicional porque essa mutação existe frequentemente na população de doentes», sublinhou o também coordenador do estudo.
O neurologista salientou ainda que esta investigação dá «uma mensagem de esperança e de optimismo de que há coisas a acontecer» nesta área em Portugal, que está a fazer investigação em parceria com outros centros europeus.
In IOL Diário 10Abril2009 |