(.../...) O trabalho que tem desenvolvido nos últimos anos poder ser a solução para algumas doenças neurodegenerativas, como Parkinson.
Tiago Fleming do Outeiro é fascinado por ciência desde miúdo. Mas o interesse pela investigação começou no terceiro ano da faculdade quando elaborou um projecto sobre a doença das “vacas loucas”. Estava na Faculdade de Ciências do Porto, mas terminou a licenciatura de Bioquímica em Leeds, Inglaterra, onde fez o estágio.
Tornou-se mundialmente conhecido depois de publicar um estudo sobre o primeiro modelo em levedura para a Doença de Parkinson na revista científica Science.
Nos últimos nove anos somou uma série de conquistas e aprendizagens, quase todas fora do País, uma vez que só regressou a Portugal há um ano.
“Foram anos de grande crescimento, aprendizagem, trabalho, mudanças e evolução. Conclui o doutoramento, fiz um pós-doutoramento, iniciei o meu próprio grupo de investigação, no Instituto de Medicina Molecular.”
Tiago Outeiro não é demasiado reservado, nem demasiado extrovertido.
“Sou gémeos, por isso tenho os dois lados. Normalmente sou reservado, mas junto dos que conhecem bem sinto que sou extrovertido.” Apesar de não sair muito à noite, quando pode não dispensa a companhia dos amigos. “Não o faço com frequência, mas gosto de dançar, de ouvir musica e de umas boas jantaradas.”
Para se distrair, Tiago Outeiro pratica desporto, passeia, vai à praia, lê um livro ou vê um jogo de futebol, “de preferência em que o FC do Porto ganhe!”.
Dos seus livros preferidos destaca “O Perfume” de Patrick Suskind ou livros com um cariz mais científico como os de Richard Dawkins. Quanto a filmes, elege os de Tarantino, mas também “uma boa comédia daquelas que nos faça rir sem pensar e que são óptimas para nos distrair”.
Actualmente, o cientista de 32 anos e o seu grupo de investigação tentam perceber por que é que determinadas células do cérebro morrem. “Neste momentos estamos a construir algo de único em Portugal. Trata-se do biobanco do Instituto de Medicina”. O biobanco irá conter amostras biológicas como sangue, tecidos, saliva, ou osso, com as quais se torna possível identificar novos factores envolvidos em várias doenças.
“Em ultima instância, pretendemos ser capazes de desenvolver novas de intervenção terapêutica para quem sofre de Parkinson ou Alzheimer”.
Tiago Outeiro é ainda sub-director do jornal electrónico Ciência Hoje.
“O que me estimula é uma sede grande pelo conhecimento, por aprender, por perceber como funciona a vida. Estimula-me pensar que talvez possa dar um pequeno contributo para que possamos saber mais amanhã do que sabemos hoje”. E acrescenta:”Não há impossíveis, apenas obstáculos, e a vida é para ser vivida com intensidade e com garra”.
Susana Lage
IN revista FOCUS |