A farmacêutica Bial tem um novo medicamento para o Parkinson “próximo de chegar ao mercado” norte-americano, numa altura em que prepara a comercialização do primeiro, para a epilepsia, disse à agência Lusa o presidente da empresa.
À margem de uma missão do “cluster” de saúde português nos EUA, António Portela adiantou que o medicamento ainda terá de ser licenciado pelo regulador do mercado farmacêutico norte-americano (FDA) e que para já a Bial procura um parceiro.
“É preciso encontrar o parceiro certo com as condições económicas certas e capacidades comerciais que queremos”, disse à Lusa, afirmando ser ainda difícil prever quando o novo medicamento pode de facto chegar ao mercado.
O medicamento está em ”fase 3, a última fase de desenvolvimento”, a ser testado “em todo o mundo” para a sua eficácia e efeitos secundários, seguindo-se a “preparação de dossier e registo de produto”.
“Está próximo de chegar ao mercado”, afirma o presidente da farmacêutica do Porto.
“Temos outros produtos em desenvolvimento, a seu tempo queremos entrar em negociações e discutir parcerias para os EUA, para os poder aprovar na FDA e comercializar”, adianta.
Com o antiepiléptico Zebinix®, a Bial conseguiu há dois anos a primeira patente farmacológica europeia de origem portuguesa.
Também licenciou nos EUA e Canadá o seu primeiro produto de desenvolvimento próprio, a um parceiro local (Sepracor) que deverá no próximo ano iniciar a comercialização, com a marca Stedesa®.
O produto “pode ser um grande sucesso em termos de futuro” pela sua “eficácia e tolerabilidade” e o mercado norte-americano representa 60 por cento do total mundial para este tipo de medicamentos, pelo que o impacto na facturação da Bial deverá ser significativo, mesmo que a quota de mercado se situe entre 1 por cento e 4 por cento.
“A curto e médio prazo, esperamos que [a facturação no mercado norte-americano] possa representar uma fatia importante. É um mercado muito grande, qualquer percentagem traz uma diferença abismal em temos da nossa facturação”, afirma o presidente da Bial.
A empresa tem actualmente no estrangeiro 40 por cento da sua facturação de 150 milhões de euros, e em 2012 a percentagem deverá crescer para 50 por cento.
Os mercados estrangeiros estão a crescer “a dois dígitos”, afirma Portela, destacando Espanha, Itália, Moçambique e América Latina.
A farmacêutica está também a fazer contactos no mercado norte-americano para levar produtos para a Europa, nomeadamente para Portugal, Espanha e Itália.
Investindo perto de 20 por cento do seu volume de negócios anual em investigação e desenvolvimento, a Bial tem como objectivo desenvolver cinco novos medicamentos até 2020.
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