Rui Costa identifica células responsáveis pelo início e fim dos movimentos
2010-07-21
Por Carla Sofia Flores
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| Rui Costa, investigador principal do Programa Champalimaud de Neurociências no Instituto Gulbenkian de Ciência | Perceber como o cérebro decide quando iniciar ou terminar uma sequência de movimentos foi o grande objectivo do cientista português Rui Costa, que desenvolveu uma investigação sobre os circuitos neuronais envolvidos na aprendizagem de acções sequenciais e na execução de tarefas, actividades afectadas por doenças degenerativas como a de Parkinson ou de Huntington.
No estudo, que será amanhã publicado na revista «Nature», o investigador identifica as células cerebrais envolvidas neste processo e apresenta os testes realizados em roedores que lhe permitiram chegar a estas conclusões.
Em conversa com o «Ciência Hoje», Rui Costa deu o exemplo da condução: “quando fazemos uma curva, há um sinal que nos diz para começar a virar o volante e outro que indica que temos de parar de virá-lo”. Este simples gesto, embora seja indicada por “sinais visuais” e aconteça quase por instinto, desenvolve-se porque “há um circuito que medeia as acções. Certas células sinalizam o começo e o fim das sequências de movimentos”, refere o investigador principal do Programa Champalimaud de Neurociências no Instituto Gulbenkian de Ciência.
Nos testes realizados com ratos, os cientistas ensinaram-nos a tocar numa tecla por oito vezes e verificaram que havia muitos neurónios activos antes do primeiro e do último toque. Através de ferramentas genéticas, os investigadores alteraram a actividade deste circuito neurológico e constataram que tal modificação implicou deficiências na iniciação e na terminação das sequências, assim como na sua aprendizagem.
Deste modo, os pequenos roedores deixaram de cumprir aquilo que lhes tinha sido ensinado e, em vez de pressionar oito vezes na tecla, fizeram-no com maior ou menor frequência, demorando também mais tempo a iniciar uma nova sequência.
Investigação importante para o estudo de doenças degenerativas
Esta desordem nos movimentos assemelha-se àquelas que são provocadas em doentes de Parkinson ou de Huntington, caracterizadas “pela dificuldade em iniciar ou parar uma sequência de movimentos”, sublinhou Rui Costa, frisando que, por isso, esta investigação pode tornar-se importante no estudo destas desordens.
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| A longo prazo, investigação poderá surtir efeitos no tratamento da doença de Parkinson |
Em estudo estiveram os neurónios dopaminérgicos dos ratos, que são equivalentes e se posicionam no mesmo local do cérebro que os homólogos humanos, assim como acontece com os neurónios do estriado. Ambos são responsáveis por funções motoras e de aprendizagem e desempenham um papel fundamental na iniciação e terminação de movimentos voluntários, sendo que os primeiros são afectados na doença de Parkinson, enquanto a degeneração dos segundos provoca a doença de Huntigton.
Questionado sobre a importância desta investigação para um futuro tratamento destas doenças degenerativas, o investigador do Instituto Gulbenkian de Ciência admite que poderão demorar anos até se produzirem efeitos sentidos pelos doentes.
No entanto, acredita que, se for possível, “de uma forma artificial, fazer estimulação cerebral ou a substituição das células afectadas [pelas doenças], há a esperança de que os pacientes possam iniciar e terminar as sequências de movimentos sem problemas”.
Veja o vídeo, clique na imagem 
NOTA:
Doença de Huntington
O que é?
A doença de Huntington é uma disfunção cerebral hereditária que evolui com degeneração (ocorrem alterações no funcionamento das células) corporal e mental e que afecta pessoas de todas as raças, em todo mundo (5 a 10 pessoas em cada 100 mil). Recebeu o nome do Dr. George Huntington, médico americano.
Antigamente, esta doença era conhecida como Coreia de Huntington ou abreviado C.H., mas agora é chamada de doença de Huntington ou D.H., porque a coreia apenas descreve um dos sintomas desta doença.
Foram nos últimos 20 anos, que muito se aprendeu sobre as causas e efeitos da DH e sobre tratamentos, terapias e técnicas para lidar com os sintomas da doença. Após uma longa busca, os cientistas encontraram o gene que causa a DH e avanços importantes fluíram a partir dessa notória descoberta. Hoje em dia, muitos cientistas ainda estão activamente envolvidos na busca de tratamentos efectivos, para fazer cessar ou reverter os efeitos da DH e, eventualmente, curá-la de forma definitiva.
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