home A Doença de Parkinson A Associação A Túlipa Links
 
As Publicações APDPk
APDPk | Associados
Delegações
Espaço Aberto
Glossário de Termos
Legislação
Notícias
Noticias Médicas
Protocolos
Serviços de Saúde Especializados
Videos Parkinson
Viver com Parkinson
Declaração de Privacidade On-line
Direção Documentos
Conselho Científico
Infarmed
 
Newsletter
insira o seu email, para receber a nossa newsletter periódica.
 
 
 
 
 
 
 
Associa Pro
 
Utilizador
Palavra-chave
 

 

   
Home » Espaço Aberto » Como descobri a doença?
 
DEPOIMENTO | Eu e a Doença de Parkinson


(.../...) Tendo consultado o site da Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson, decidi partilhar no “Espaço aberto” a minha experiência com a doença. Tudo começou aos 45 anos, com um ligeiro tremor do lado esquerdo do corpo quando, em repouso, mudava de posição. Por essa altura foi-me também diagnosticada Vertigem Posicional Paroxística, que resolvia tomando Betaserc e Atarax, por indicação médica. A médica realizava-me uns exercícios de reposicionamento de “cristais ou cálculos”, que me deixavam muito nauseada (ao ponto de vomitar), colocava o colar cervical e dormia recostada em várias almofadas, vendo melhoras passados 2 dias. Comecei a ter perda de equilíbrio, rigidez no dedo anelar esquerdo e dificuldade na motricidade fina, como segurar uma régua, fazer um traço com régua, dobragens (situações que me limitavam bastante, porque sou professora de EVT). Consultei um neurologista, no Hospital da Horta, Açores, que em 15 minutos de consulta me referiu que eu tinha Parkinson em fase inicial. Fiquei aborrecida com a forma como me comunicou a situação, porque considerei que apenas com meia dúzia de exames de manipulação das articulações, observação de marcha e com base numa rápida realização da minha história clínica, não era possível fazer um diagnóstico tão concreto. Receitou-me Jumex, que só comecei a tomar 15 dias depois, porque ainda não tinha interiorizado e aceite aquele diagnóstico. Cometi o terrível erro de pesquisar na Internet sobre a doença e, se há sites credíveis, também os há que nos causam alarme e ansiedade – subitamente piorei drasticamente, deixei mesmo de conseguir manipular objetos pequenos, tropeçava constantemente em andamento, não conseguia estar de pé a conversar, comecei a tremer da mão esquerda e nem conseguia enviar uma bola em linha reta, havendo sempre um desvio para o lado esquerdo. Decidi fazer uma introspeção, questionando-me se até à data apenas tinha 1 ou 2 sintomas ligeiros, como é que de repente na semana seguinte estava tão incapacitada? Concluí que estes sintomas eram psicológicos e que tinha de os combater. O facto é que estas incapacidades desapareceram. Como mantinha a tremura do lado esquerdo quando em repouso mudava de posição e como tinha dificuldade em movimentar-me em espaços pouco amplos, decidi tomar o Jumex. Melhorei significativamente. Procurei uma segunda opinião, consultando uma neurologista no Hospital da Luz, que após observação de uma TAC ao cérebro e após realização dos mesmos exames físicos realizados pelo primeiro neurologista que consultei, foi perentória em afirmar que eu não tinha Parkinson, dizendo que “arrumasse este diagnóstico nu fundo de uma prateleira”. Fiquei aliviada, até deixei de ter sintomas (a parte psicológica é verdadeiramente forte no ser humano). Como estava em situação de “empate”, decidi ouvir uma terceira opinião, consultando um neurologista numa clínica privada. Entendeu que não me deixaria ficar por simples exames físicos e mandou-me fazer um DatScan, cuja conclusão foi “Compromisso funcional putaminal bilateral, enquadrável no diagnóstico de Doença de Parkinson”. Passei a ser medicada com Azilect, um comprimido por dia, na dosagem mínima, mantendo consultas bianuais, situação que se verifica há mais de um ano. Refiro que em nenhuma altura tive tremura nas mãos, tive e tenho por vezes dificuldades em comer com o garfo na mão esquerda e tenho muita dificuldade em circular ou movimentar-me em espaços apertados, bem como dificuldades no equilíbrio. Numa segunda consulta a esse mesmo especialista, após 6 meses de medicação, notou mudanças positivas, como o pestanejar, a escrita, a expressão facial (factos dos quais não me apercebia) e na forma como andava. Os amigos mais próximos sabem que padeço desta doença, porque os informei da situação, caso contrário as pessoas não se apercebem destas minhas limitações. Nunca fiquei deprimida, porque tenho assistido à morte prematura de pessoas chegadas e conhecidas, por razões de doença súbita, prolongada ou por acidentes, que o meu lema é “um dia de cada vez” e não vou sofrer por antecipação. Mantenho igualmente uma forte esperança nos avanços da ciência, que acredito em breve descobrirão a cura para esta doença. Claro que me sinto um pouco limitada em certas situações do quotidiano, mas nunca deixei de fazer nada do que fazia até agora. Tenho algumas dores ósseas nas pernas caso me mantenha muito tempo sentada ou em pé, tenho mesmo é de aprender como contornar as situações que me possam conduzir ao desconforto. Maria José Biscaia 47 anos Açores, 14 de Maio de 2012


 
 
   
 
 
2012 © APDPk - Todos os direitos reservados