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Casos de Parkinson vão duplicar até 2030

4 de Fevereiro de 2007

 

 

O número de pessoas afectadas pela doença de Parkinson deverá duplicar nos próximos 25 anos, revelou um estudo publicado esta semana na revista americana “Neurology”. A tendência será sentida mais fortemente nos países em desenvolvimento, sobretudo da Ásia, que terão dificuldades em afrontar uma nova realidade associada com o crescimento populacional e o aumento da esperança de vida.

Jason Reed/Reuters

 

Michael J. Fox é um dos rostos mais conhecidos na luta contra a doença de Parkinson

 

A equipa de investigadores, liderada por Ray Dorsey, da Universidade de Rochester, estudou a evolução demográfica dos cinco maiores países da Europa Ocidental (Espanha, França, Itália, Reino Unido e Alemanha) e das restantes 10 nações mais populosas do planeta (Bangladesh, Brasil, China, Estados Unidos, Índia, Indonésia, Japão, Nigéria, Paquistão e Rússia). Depois, fez projecções da prevalência da doença por grupo etário em cada um dos 15 países e chegou a conclusões alarmantes:

Se em 2005 o número de indivíduos com Parkinson nestes países se situava entre os 4,1 e os 4,6 milhões, em 2030 poderão ser entre 8,7 e 9,3 milhões. Aplicando a tendência a toda a população mundial, o número de pessoas afectadas pela doença neurodegenerativa deverá duplicar dos seis para os 12 milhões no espaço de um quarto de século.

A evolução da doença não se fará, contudo, sentir de forma igual em todos os países. Enquanto nos Estados Unidos, a progressão poderá ser de apenas 80 por cento, atingindo os cerca de 600 mil pacientes, irão registar-se aumentos mais significativos nos países asiáticos em desenvolvimento. Quase metade da população afectada (cinco milhões de pacientes) estará na China.

“O aumento será maior nos países orientais em desenvolvimento do que na Europa Ocidental e Estados Unidos devido às diferenças nas estruturas populacionais”, explicou Dorsey ao Expresso. “A estrutura da população nestas nações orientais, em especial a China e a Índia, é tal que o número de indivíduos idosos irá aumentar dramaticamente nos próximos 25 anos. Nesse sentido, o número de pessoas que poderão sofrer de Parkinson também crescerá significativamente, porque a prevalência da doença aumenta com a idade”.

O investigador sublinha ainda que os países onde a patologia se expandirá mais rapidamente são precisamente aqueles onde hoje ela ainda não é vista como um problema de saúde pública e, como tal, apresentam meios mais limitados para “diagnosticar os indivíduos e ainda menos para responder às suas necessidades médicas ou ao impacto social [da doença]”.

Portugal acompanha tendência

Em Portugal, apesar de não existirem dados concretos sobre a prevalência da doença, estima-se que esta patologia neurodegenerativa do aparelho motor afecte cerca de 20 mil pessoas, “embora um número muito significativo esteja ainda por diagnosticar”, afirmou Joaquim Ferreira, neurologista do Hospital de Santa Maria. O clínico afirmou que os resultados do estudo agora apresentado “não são nada surpreendentes” tendo em conta a evolução da estrutura demográfica do país e que o mesmo exercício já foi feito em Portugal com resultados semelhantes. “Dentro de 20 anos, teremos mais de 30 mil doentes com Parkinson”, vaticinou o clínico.

O neurologista revelou ainda ao Expresso que, de acordo com um estudo nacional a aguardar publicação numa revista da especialidade, Portugal é, a par de Espanha, um dos países europeus onde é maior a percentagem de casos da doença (cerca de cinco por cento) relacionados com uma mutação genética conhecida por Park 8. “Ainda não se conhecem os motivos, mas a verdade é que este factor de risco é substancialmente maior na Península Ibérica”, explicou.

Segundo um outro estudo publicado na mesma edição da revista “Neurology”, o aumento dos casos de Parkinson será uma tendência semelhante a outras doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer. A patologia afecta actualmente cerca de 18 milhões em todo o Mundo, mas estima-se que em 2025 poderão ser já 34 milhões, quase o dobro.

 

CINCO PERGUNTAS A

Tiago Fleming Outeiro
Neurocientista, Harvard Medical School, Estados Unidos

As projecções que aponta para a duplicação dos casos de Parkinson nos próximos 25 anos surpreendem-no?
Não é muito surpreendente. Corresponde a um aumento da esperança média de vida, sobretudo em alguns países asiáticos, como a Índia e a China, onde a população tem aumentado exponencialmente.

O envelhecimento da população explica tudo? Não haverá aqui uma relação também com a melhoria dos meios de diagnóstico?
Diria que é uma conjugação dos dois factores. É o facto de cada vez ser possível diagnosticar mais cedo e melhor a doença e o facto de a população viver mais tempo – aumentando, assim, a probabilidade de sofrer de doença neurodegenerativas – que dão credibilidade a estas estimativas.

É possível inverter essa tendência?
É uma realidade com a qual temos que aprender a viver. Não acho que seja algo que nos deva assustar. Se para alguma coisa esta tendência serve é para mostrar que se deve investir mais na investigação nesta área.

Estamos muito longe de uma cura para a doença de Parkinson e outras patologias neurodegenerativas?
Não gosto de fazer futurologia, mas acredito que uma cura será possível. É para isso que eu e os meus colegas trabalhamos. É sempre difícil estabelecer um prazo, mas hoje estamos muito mais perto que há 10 anos. Mesmo não havendo uma cura, estão em desenvolvimento muitos fármacos que podem dar outra qualidade de vida a estes pacientes. E espero que um dia seja possível interromper a progressão da doença e até revertê-la.

2030 é uma boa meta?
Em 25 anos muita coisa muda. Espero que nessa altura a futurologia tenha já dado lugar à realidade

in EXPRESSO online

Enviado por Sandra Ramos

 

 
 
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