“uma das características principais desta doença é a variabilidade de sintomas”. Desde o início da doença, esta variação faz, por vezes, com que o médico erre no diagnóstico, dado que o sintoma que está presente num dia é susceptível de desaparecer no dia seguinte. E esta variabilidade mantém-se ao longo da doença.
Na doença de Parkinson, não estamos perante uma paralisia, mas de uma acinésia, ou seja, de uma anomalia do movimento, devido a danos no sistema de regulação da motricidade. Este sistema funciona mais ou menos harmoniosamente, consoante os momentos e os numerosos estímulos que recebe, adjuvantes ou inibidores, enviados por outros circuitos: estado de vigilância, motivação, emoção, estímulos visuais ou auditivos, dor, outra actividade motora em curso, estado vigil ou sono…
Os factores da variação dos sintomas
A motivação
A motivação influencia sensivelmente os desempenhos motores. Quando um objectivo deve ser atingido ou uma tarefa efectuada, a mobilização dos recursos permite a execução com uma facilidade por vezes surpreendente. Deste modo, as viagens curtas desenrolam-se geralmente bem, apesar da sensação de grande apreensão antes da partida, bem como receber uma visita, dar um passeio a pé ou participar numa festa familiar. No entanto, deve-se evitar a ideia de que o doente parkinsónico “só faz bem aquilo que lhe dá prazer”, pois é também capaz de desempenhar correctamente uma tarefa desagradável. Um doente, que caminhava com dificuldade procurou 
o seu cão, debaixo de chuva, durante três horas, na montanha e de noite. A carga emocional e a motivação são factores que não podemos negligenciar, mesmo sendo muitos individuais e inconstantes. Muitos doentes que são dependentes do tratamento, constatam que podem esquecer-se de tomar uma dose de L-Dopa se estiverem ocupados a fazer qualquer coisa que os motiva (exemplo: uma colecção de selos).
O ambiente que os rodeia tem igualmente um papel importante, visto que uma tarefa efectua-se mais facilmente em grupo que individualmente (exemplo: passeio acompanhado). Infelizmente, o efeito facilitador da motivação não funciona sempre e, paradoxalmente, até se acentuam.
O stress
O stress tem geralmente, uma influência negativa sobre os sintomas da doença: o stress acentua-os não apenas naquele momento, mas também, a longo prazo, durante dias ou semanas.
Paradoxalmente, em alguns casos, o stress exerce uma influência benéfica. Em caso de emoção forte ou de surpresa, assistimos, por vezes, ao desaparecimento completo dos sintomas durante vários minutos ou até várias horas.

O sono
Durante o sono, os sinais da doença desaparecem. Uma “motricidade do sono” manifesta-se pelo relaxamento completo do tónus muscular (perceptível quando pegamos num bebé adormecido). No entanto, mantém-se uma actividade cerebral importante em intervalos regulares. Existe, então, uma actividade motora caracterizada pelas contracções, espasmos musculares (mioclonias) ou por uma vocalização (o doente volta a ter uma voz normal).
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